imagine poder voltar em suas memórias pra conversar. não o ''olhar sem tocar'' de sempre, aprendendo com as coisas boas, ruins e blá blá blás. acho que é mais como uma chance única de ser sincero sabendo que não adiantará em nada ver quão bom foi. ver tudo desmoronar ao seu redor e só conseguir pensar em um jeito sincero de dar aquele tchau que saiu brigado porta a fora. saber que ela é toda boa lembrança que tem na vida, e se deixar convencer de que as coisas podem não dar certo.
complemente com a idéia de que junto estão os nossos sonhos de sermos diferentes, de não suportarmos ser o casal que reclama do restaurante onde se cumprem as datas especiais, de não aceitar prever, novamente, o comportamento repulsivo de quem só está ao nosso lado por dar esperança de uma vida mais all star.
pena que virou filme antes de acontecer com alguém.
''Porque me apaixono por todas as mulheres que me dão um mínimo de atenção?''
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind).
Tem aquela coisa de ler um blog, um diário, ouvir uma música, conversar com alguém, blá blá blá, e pensar ''parece tanto comigo'', ou quando mais profundo ''cara, me identifiquei tanto com isso que até me entendo melhor!''. Isso é legal!
Quanto a falta de personalidade: tem todas aquelas milhares de perguntas que agente não responde (e deve continuar a vida toda sem responder) porque não tem resposta, ou porque ainda não está na hora e coisas do gênero. Então, ver alguma coisa legal escrita e uma idéia bem lapidada, se encaixa bem na lacuna que a dúvida deixa aberta. Resultado: ''nossa, parece que fui eu que escrevi!''.
Pode ser também por tudo já existir ou já ter acontecido, inclusive as nossas histórias e dilemas. Por exemplo: ''meu, tô gostando dela e ela está com outro...'', aí o seu amigo que é (as vezes) todo ouvidos diz algo como ''porra cara, aconteceu isso comigo também...'', e começa a troca de experiências iguais com personagens diferentes, junto com os conselhos que você dá mesmo sabendo que jamais iria seguir. Quando isso que eu disse não é válido e a história nunca aconteceu antes, ela virará um filme; mas se até os filmes estão se repetindo...
Ainda existe a explicação Teatro Mágico. Além de colocarem a magia de tudo que é mágico nas coisas que não são mágicas da nossa vida sem magia (?), quebrar conceitos e tudo mais, tem uma coisa de ''reinventar'' umas frases que só mostram seu verdadeiro sentido de vez em quando. ''Todo mundo é um pedacinho do outro, todo outro é um pedacinho do mundo''. Mentes e cosmos a parte, essa coisa de estar todo mundo conectado é linda; acho que dá força pra continuar a acreditar em nós mesmos apesar de não termos certeza de muita coisa.
Coisas assim fazem as minhas mil dúvidas voltarem pra casa das centenas, e isso também é legal.
''É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.''
não sei se já disse alguma vez, mas com certeza já pensei em algo como ''pra que falar com ele? não me acrescenta em nada!''. o ponto não é a ladainha sobre ''todo mundo tem algo que merece ser valorizado, por mais simples que seja'', e sim, ser uma esponja ou não.
é triste pensar em viver sem absorver a essência das pessoas, das coisas, e de tudo que é feio ou ruim a primeira vista, mas que depende só de uma segundo olhar pra se tornar fantástico. é lindo ficar agregando conhecimentos e opiniões pra conseguir jogar na própria cara, e ter o prazer de arrebentá-la com toda a vontade do mundo. admito que tudo isso que disse é difícil, porque por mais ''não orgulhosos'' que nos considerarmos em caderninhos de confidência, dói um pouco ver um jeito de vida ir por água abaixo. ainda mais quando você tinha uma certeza de que aquilo era certo e bom. ainda mais quando eu faço tudo que, um dia, jurei não mais fazer. ainda mais quando não faço tudo que, em nenhum dia, pensei em fazer. ainda mais quando não faço nada em nenhum dia, e as coisas não se ajeitam.
mas são nos domingos dentro de um carro, cantando as músicas que, no momento eram as únicas do mundo, que tudo faz sentido e os pensamentos que não são filosofia, apenas vão. não se preocupar é ótimo, ainda mais quando se têm ao lado pessoas que não são pessoas, mas algum tipo de máquina capaz de tornar as coisas bacanas e sempre sinceras. ainda mais quando se têm ao lado uma coisa que não presta pra nada, a não ser tomar decisões certas e servir de modelo pra qualquer sentimento bom ou adjetivo positivo. ainda mais quando ela me fez falta, e eu tomo uma consciência disto.
nisso tudo, eu só vejo essência e uma fonte inesgotável de um sentimento chamado ''você só tem a crescer com tudo que está a sua volta''. também tem um pouquinho de ''babaca, você só faz merda!'', que serve pra equilibrar as coisas e deixar tudo no devido clichê. ser esponja pra tudo e pra todos, só faz bem pra mim. e bem pra mim, é conseguir enxergar tudo meio cor-de-rosa, tudo meio otimista.
''Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.''
Naquele dia, eu realmente não fiz questão de escrever. Eu queria sentir aquilo e não dividir com ninguém! Nem com você, blog, que me faz tão bem. Caraca!
Palavras, me deixem ser egoísta!Blog, me deixe ser pessoal!
Eu me sinto feliz comigo, como se tivesse tomado algumas decisões certas. Mas tenho aquele ''calor gélido e ansiado na boca do estômago'' (que já dizia Fernando Anitelli) quando penso estar sendo, sei lá, repetitivo. Por enquanto, vai tranquilo. Mas já critiquei tanta gente que se importa mais com pensar do que com viver, e não minto quando me sinto um desses filósofos de fim se semana. Eu leio, penso, ouço, e principalmente, me declaro! Falo tudo sobre tudo, e mesmo que me resulte em algumas pequenas frases perdidas, elas me fazem bem.
No meio disso tudo ficam aqueles olhos grandes, e mais uma daquelas lembranças que insistem em ficar vivas.
Todo mundo espera alguma coisa de si mesmo, já que, querendo ou não, nos achamos santos. Nunca furaríamos uma fila, não fingiríamos estar dormindo no banco preferencial do ônibus, jamais veríamos o troco errado sem devolver ou ultrapassaríamos pelo acostamento. A nossa missão é, sem mais nem menos, falar mal de todos os monstros que fazem essas atrocidades.
Uma vez, o pai de um amigo me disse ser fácil essa ''auto canonização'', já que, quando resolvemos isso, não estamos com fome, temos uma casa aconchegante, nossos filhos estão bem e nada nos incomoda. Me sugeriu, então, tentar pensar assim quando tivermos uma arma na mão e nossa família esteja correndo perigo. E agora? Santos ou não?
Junto dessa (in)certeza sobre nossa santidade, temos uma certa consciência de que ''todo anjinho tem seu dia de capeta''. Uma vez ou outra, é permitido atribuir ao mal humor o fato de passar em frente ao vizinho sem olhar na cara, ou ficar chateado quando alguém pisar na sua unha encravada, no ônibus lotado do fim de tarde. Quem se importa?
Eu não vou pedir desculpas, mas não tenho muita idéia do ''porque'' de ter escrito isto. Deve estar, apenas, desenferrujando.