domingo, 12 de julho de 2009

Resumo

não vou dizer que agora tudo faz sentido, e que todas as minhas dificuldades tenham sido construtivas ao longo de tudo que passei; mas vou dizer que estou bem, e tudo que digo agora é tudo que sempre quis dizer.

não faz muito tempo que ela passou por mim, e sorrindo pra minha orelha me beija o pescoço e bate os chinelos devagar pra não derramar o seu chá. eu grito que trabalho ou grito que já vou, nem sei mais; mas aqui eu mais apago do que escrevo. me sinto bem. e quando me sinto bem assim, penso que só quis escrever como profissão pra tentar sentir isso toda hora, em todo fato.

as dúvidas ainda são as mesmas, e por mais que o tempo passe ainda não sei quais são. acho que pouca coisa mudou, porque quando me elogiam ainda rio sem graça desmentindo, enquanto meu ego confirma tudo pra si e me proporciona mais bons momentos enquanto lembro, rio e dirijo. aquela coisa de ouvir uma música, ler um livro ou fala de filme que te lembra de alguma coisa, ainda acontece; até parei de escutar músicas, porque quando se mora com alguém, ficar sentado com uma cerveja e no mundo da lua gera greve de sexo e brigas incessantes. ela grita, bate o pé e quebra a minha xícara de jornalista, mas você sorri por dentro e continua naquela paz de espírito que aquela melodia te dá. acho que minha traição foi resultado dessas brigas, tanto que um dia cheguei em casa mais cedo e lá estava ela: música baixa, cinzeiro cheio, sentada no chão com a cabeça na parede e o olhar lá na puta que pariu. ela levantou, os olhos tentaram mas não fizeram seu olhar voltar; dormiu sem se mexer e acordou sorrindo, pra mim. continuo querendo poder saber o que os olhares olham quando vão pra longe.

comprei meus óculos, e agora me sinto completo. os livros são mais livros quando lidos com óculos, e devo fazer sucesso quando respiro fundo e os arrumo enquanto releio tudo pra escrever o parágrafo final. por falar nisso, ainda respiro fundo freqüentemente. são raros os dias em que não lembro disso, e foi única a noite em que respirar fundo não antecedeu algum sonho. enquanto conhecia ela pela primeira vez, desconfiamos que eu já possa ter sido o seu pai, ou um tio bem coruja.

me chamou, queria que eu pegasse um par de meias que estava no varal. ela nunca vai saber como fica linda quando pega meu travesseiro pra apoiar as costas, deixa o cabelo preto bem preso com aqueles palitinhos, e sorri quando troca a página olhando pra mim. sorri de novo quando pensa que sabe o que penso, e eu faço força pra achar cada vez mais linda aquela cena. principalmente nos dias que uma alça da camisola cai no seu braço, e nas noites em que as duas vão ao pé da cama.

os domingos são normais, já que ainda vou aos jogos e ela (ainda?) alimenta suas velhas amizades. e é praxe eu chegar e pegar o violão pra tocar as mesmas músicas que tocava quando sonhava em tocar samba. as vezes ela senta na minha frente, trás 2 taças com o vinho que leu em algum lugar ser bom, e mesmo que queira deixar seu olhar ir embora, faço força e converso por pura obrigação. ela quase sempre levanta e vem sorrindo quando digo que violão atrai mulher, e não se faz de difícil quando sorri de boca aberta e pergunta se vou ficar segurando o violão por muito tempo. sempre dá certo. sempre é bom.

insisto em afirmar ''te ligo mesmo!'', quando não consigo fingir que não conheço um antigo conhecido que cruza comigo no shopping. não acho falsidade e nem coisa de curitibano, mas as vezes todo mundo é assim, todo é mundo é quieto.

ela chamou de novo, naquele tom que me faz amar ela pra sempre. aliás, o ''pra sempre'' até hoje é tabu, e o ''que seja eterno enquanto dure'' ainda é a resposta de muita coisa que a primeiro momento é só estranho, mas que já se sabe o final. eu ainda salvo em uma pastinha entre minhas músicas, pra um dia ler tudo em uma paulada só. também só faço isso, ainda, quando as coisas vão mal, e aquela pontinha de ''é'' (conformado) já está no ar. mas agora não me importa, e talvez eu tenha ouvido todas as músicas que ouvi e escrito todas as coisas que li em algum lugar, só pra poder dizer que ''agora nada me importa''. eu não penso em nada, não consigo pensar em nada. eu desligo as coisas e ainda tranco duas vezes a porta tentando saber porque as coisas continuam tão iguais. porque ela ainda é tão igual quando me deixa ler o que quer de mim no seu olhar enquanto sorri com o óculos na boca.

a noite acontece com a violência dos anjos, e com o carinho do desejo. ela rouba meu sorriso com um beijo, e sei que vai demorar muito pra isso tudo acontecer de novo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Decolando

quanto mais as coisas vão se ajeitando. quanto mais músicas você vai ouvindo, e quanto mais livros vai lendo ou colocando na lista dos próximos. quanto mais você acha que podia perder uns quilos. quanto mais se espelha em alguém e quanto mais vê os filmes que só seu professor diz serem maravilhosos. quanto mais acha que o que ouve poderia mudar o mundo, e principalmente, quanto mais perde as chances de ficar quieto. quanto mais ''lato, bato e um gato mordo'' em segredo. quanto mais se arrepende de ter ido puxar assunto com ela e estragado o amor platônico.

é.

quanto mais você acha que seus problemas são os mesmos dos caras barbudos de antigamente. quanto mais acha que as suas dúvidas são as mesmas dúvidas do mundo, e quanto mais tem certeza que as suas são as únicas sem resposta; quanto mais acha que as suas são as únicas que não conseguem ser explicadas. quanto mais consegue achar uma pontinha de explicação na música do cara que fuma a uns 20 anos. quanto mais ''sei lá! olha o tempo que eu quis cantar você'' resolve fazer sentido dia sim, dia não. quanto mais ''ainda te quero muito tempo ao meu lado'' soe bonito pra qualquer um que resolva cantar pra qualquer pessoa que hipoteticamente sinta algo pelo qualquer um.

não leva a muitos lugares fazer estas coisas, pelo menos não agora. mas é melhor do que tentar se concentrar nas tardes em que resolve acertar a vida, traçar novos rumos ou pensar nas coisas que estão acontecendo.

é, realmente é muito melhor.


''E agora espero todo tempo não calado

faço ainda um comtato, ainda volto pro normal.''

Extromodos - Um Comtato

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A História do Beijo.

*ele bate na janela.

cheguei cedo pro treino?

hoje não vai ter treino não. nem treino, nem ensaio.

oxênte, porque?

por nada.

nada e o que mais?

mais que eu tenho mais o que fazer além do que ficar aqui olhando pra tua cara de lézo!

e depois?

que depois?!

depois que tu fizer o que tu tem que fazer além de ficar aqui olhando pra minha cara de lézo.

eu, tu? não esperava não.

*ela chora.

*passos pra trás, riso das palavras que não cabem.

eu não vou esperar mesmo não. sabe porque? porque esse tal amor que o personagem finge que sente; amor dessa qualidade que tem paciência até pra esperar entre o anúncio e outro pra somente não voltar a se apresentar, concluiu que tinha fingido que tinha começado... esse tal amor é somente amor de ficção. é muito diferente desse negócio aqui que eu sinto aqui (torce a camisa), esse negócio de doido que eu não encontro nome nem em outras palavras existentes; e que não tem som nem letra escrita que explique como ele é exagerado.

*respiram.

onde foi que tu leu isso?

eu nem li, nem decorei, nem sei repetir de novo. porque sentimento sentido de verdade não carece de ser documentado em papel, romance, nem filme de cinema; pois não é da conta de mais ninguém a não ser da pessoa que sente, além da outra responsável pelo afeto causado.

*ele pula a janela.

a conversa aqui é só entre tu e eu e eu e tu. fingi somente uma vez que tu é tu, que é pra ver se tu descobre o que tu sente! porque esse beijo que eu vou te dar agora, esse vai ser meu de verdade.

*dançam sem música, nem beleza; e a história acontece.

A Máquina: O Amor É o Combustível - João Falcão

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ela é mesmo legal (:

imagine poder voltar em suas memórias pra conversar. não o ''olhar sem tocar'' de sempre, aprendendo com as coisas boas, ruins e blá blá blás. acho que é mais como uma chance única de ser sincero sabendo que não adiantará em nada ver quão bom foi. ver tudo desmoronar ao seu redor e só conseguir pensar em um jeito sincero de dar aquele tchau que saiu brigado porta a fora. saber que ela é toda boa lembrança que tem na vida, e se deixar convencer de que as coisas podem não dar certo.


complemente com a idéia de que junto estão os nossos sonhos de sermos diferentes, de não suportarmos ser o casal que reclama do restaurante onde se cumprem as datas especiais, de não aceitar prever, novamente, o comportamento repulsivo de quem só está ao nosso lado por dar esperança de uma vida mais all star.


pena que virou filme antes de acontecer com alguém.


''Porque me apaixono por todas as mulheres que me dão um mínimo de atenção?''

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind).

terça-feira, 26 de maio de 2009

Fica no ar

Tem aquela coisa de ler um blog, um diário, ouvir uma música, conversar com alguém, blá blá blá, e pensar ''parece tanto comigo'', ou quando mais profundo ''cara, me identifiquei tanto com isso que até me entendo melhor!''. Isso é legal!

Quanto a falta de personalidade: tem todas aquelas milhares de perguntas que agente não responde (e deve continuar a vida toda sem responder) porque não tem resposta, ou porque ainda não está na hora e coisas do gênero. Então, ver alguma coisa legal escrita e uma idéia bem lapidada, se encaixa bem na lacuna que a dúvida deixa aberta. Resultado: ''nossa, parece que fui eu que escrevi!''.

Pode ser também por tudo já existir ou já ter acontecido, inclusive as nossas histórias e dilemas. Por exemplo: ''meu, tô gostando dela e ela está com outro...'', aí o seu amigo que é (as vezes) todo ouvidos diz algo como ''porra cara, aconteceu isso comigo também...'', e começa a troca de experiências iguais com personagens diferentes, junto com os conselhos que você dá mesmo sabendo que jamais iria seguir. Quando isso que eu disse não é válido e a história nunca aconteceu antes, ela virará um filme; mas se até os filmes estão se repetindo...

Ainda existe a explicação Teatro Mágico. Além de colocarem a magia de tudo que é mágico nas coisas que não são mágicas da nossa vida sem magia (?), quebrar conceitos e tudo mais, tem uma coisa de ''reinventar'' umas frases que só mostram seu verdadeiro sentido de vez em quando. ''Todo mundo é um pedacinho do outro, todo outro é um pedacinho do mundo''. Mentes e cosmos a parte, essa coisa de estar todo mundo conectado é linda; acho que dá força pra continuar a acreditar em nós mesmos apesar de não termos certeza de muita coisa.

Coisas assim fazem as minhas mil dúvidas voltarem pra casa das centenas, e isso também é legal.



''É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.''

Bidê ou Balde - Mesmo Que Mude.