sexta-feira, 3 de julho de 2009

Decolando

quanto mais as coisas vão se ajeitando. quanto mais músicas você vai ouvindo, e quanto mais livros vai lendo ou colocando na lista dos próximos. quanto mais você acha que podia perder uns quilos. quanto mais se espelha em alguém e quanto mais vê os filmes que só seu professor diz serem maravilhosos. quanto mais acha que o que ouve poderia mudar o mundo, e principalmente, quanto mais perde as chances de ficar quieto. quanto mais ''lato, bato e um gato mordo'' em segredo. quanto mais se arrepende de ter ido puxar assunto com ela e estragado o amor platônico.

é.

quanto mais você acha que seus problemas são os mesmos dos caras barbudos de antigamente. quanto mais acha que as suas dúvidas são as mesmas dúvidas do mundo, e quanto mais tem certeza que as suas são as únicas sem resposta; quanto mais acha que as suas são as únicas que não conseguem ser explicadas. quanto mais consegue achar uma pontinha de explicação na música do cara que fuma a uns 20 anos. quanto mais ''sei lá! olha o tempo que eu quis cantar você'' resolve fazer sentido dia sim, dia não. quanto mais ''ainda te quero muito tempo ao meu lado'' soe bonito pra qualquer um que resolva cantar pra qualquer pessoa que hipoteticamente sinta algo pelo qualquer um.

não leva a muitos lugares fazer estas coisas, pelo menos não agora. mas é melhor do que tentar se concentrar nas tardes em que resolve acertar a vida, traçar novos rumos ou pensar nas coisas que estão acontecendo.

é, realmente é muito melhor.


''E agora espero todo tempo não calado

faço ainda um comtato, ainda volto pro normal.''

Extromodos - Um Comtato

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A História do Beijo.

*ele bate na janela.

cheguei cedo pro treino?

hoje não vai ter treino não. nem treino, nem ensaio.

oxênte, porque?

por nada.

nada e o que mais?

mais que eu tenho mais o que fazer além do que ficar aqui olhando pra tua cara de lézo!

e depois?

que depois?!

depois que tu fizer o que tu tem que fazer além de ficar aqui olhando pra minha cara de lézo.

eu, tu? não esperava não.

*ela chora.

*passos pra trás, riso das palavras que não cabem.

eu não vou esperar mesmo não. sabe porque? porque esse tal amor que o personagem finge que sente; amor dessa qualidade que tem paciência até pra esperar entre o anúncio e outro pra somente não voltar a se apresentar, concluiu que tinha fingido que tinha começado... esse tal amor é somente amor de ficção. é muito diferente desse negócio aqui que eu sinto aqui (torce a camisa), esse negócio de doido que eu não encontro nome nem em outras palavras existentes; e que não tem som nem letra escrita que explique como ele é exagerado.

*respiram.

onde foi que tu leu isso?

eu nem li, nem decorei, nem sei repetir de novo. porque sentimento sentido de verdade não carece de ser documentado em papel, romance, nem filme de cinema; pois não é da conta de mais ninguém a não ser da pessoa que sente, além da outra responsável pelo afeto causado.

*ele pula a janela.

a conversa aqui é só entre tu e eu e eu e tu. fingi somente uma vez que tu é tu, que é pra ver se tu descobre o que tu sente! porque esse beijo que eu vou te dar agora, esse vai ser meu de verdade.

*dançam sem música, nem beleza; e a história acontece.

A Máquina: O Amor É o Combustível - João Falcão

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ela é mesmo legal (:

imagine poder voltar em suas memórias pra conversar. não o ''olhar sem tocar'' de sempre, aprendendo com as coisas boas, ruins e blá blá blás. acho que é mais como uma chance única de ser sincero sabendo que não adiantará em nada ver quão bom foi. ver tudo desmoronar ao seu redor e só conseguir pensar em um jeito sincero de dar aquele tchau que saiu brigado porta a fora. saber que ela é toda boa lembrança que tem na vida, e se deixar convencer de que as coisas podem não dar certo.


complemente com a idéia de que junto estão os nossos sonhos de sermos diferentes, de não suportarmos ser o casal que reclama do restaurante onde se cumprem as datas especiais, de não aceitar prever, novamente, o comportamento repulsivo de quem só está ao nosso lado por dar esperança de uma vida mais all star.


pena que virou filme antes de acontecer com alguém.


''Porque me apaixono por todas as mulheres que me dão um mínimo de atenção?''

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind).

terça-feira, 26 de maio de 2009

Fica no ar

Tem aquela coisa de ler um blog, um diário, ouvir uma música, conversar com alguém, blá blá blá, e pensar ''parece tanto comigo'', ou quando mais profundo ''cara, me identifiquei tanto com isso que até me entendo melhor!''. Isso é legal!

Quanto a falta de personalidade: tem todas aquelas milhares de perguntas que agente não responde (e deve continuar a vida toda sem responder) porque não tem resposta, ou porque ainda não está na hora e coisas do gênero. Então, ver alguma coisa legal escrita e uma idéia bem lapidada, se encaixa bem na lacuna que a dúvida deixa aberta. Resultado: ''nossa, parece que fui eu que escrevi!''.

Pode ser também por tudo já existir ou já ter acontecido, inclusive as nossas histórias e dilemas. Por exemplo: ''meu, tô gostando dela e ela está com outro...'', aí o seu amigo que é (as vezes) todo ouvidos diz algo como ''porra cara, aconteceu isso comigo também...'', e começa a troca de experiências iguais com personagens diferentes, junto com os conselhos que você dá mesmo sabendo que jamais iria seguir. Quando isso que eu disse não é válido e a história nunca aconteceu antes, ela virará um filme; mas se até os filmes estão se repetindo...

Ainda existe a explicação Teatro Mágico. Além de colocarem a magia de tudo que é mágico nas coisas que não são mágicas da nossa vida sem magia (?), quebrar conceitos e tudo mais, tem uma coisa de ''reinventar'' umas frases que só mostram seu verdadeiro sentido de vez em quando. ''Todo mundo é um pedacinho do outro, todo outro é um pedacinho do mundo''. Mentes e cosmos a parte, essa coisa de estar todo mundo conectado é linda; acho que dá força pra continuar a acreditar em nós mesmos apesar de não termos certeza de muita coisa.

Coisas assim fazem as minhas mil dúvidas voltarem pra casa das centenas, e isso também é legal.



''É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou.''

Bidê ou Balde - Mesmo Que Mude.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ainda mais, ainda que pareça menos

não sei se já disse alguma vez, mas com certeza já pensei em algo como ''pra que falar com ele? não me acrescenta em nada!''. o ponto não é a ladainha sobre ''todo mundo tem algo que merece ser valorizado, por mais simples que seja'', e sim, ser uma esponja ou não.

é triste pensar em viver sem absorver a essência das pessoas, das coisas, e de tudo que é feio ou ruim a primeira vista, mas que depende só de uma segundo olhar pra se tornar fantástico. é lindo ficar agregando conhecimentos e opiniões pra conseguir jogar na própria cara, e ter o prazer de arrebentá-la com toda a vontade do mundo. admito que tudo isso que disse é difícil, porque por mais ''não orgulhosos'' que nos considerarmos em caderninhos de confidência, dói um pouco ver um jeito de vida ir por água abaixo. ainda mais quando você tinha uma certeza de que aquilo era certo e bom. ainda mais quando eu faço tudo que, um dia, jurei não mais fazer. ainda mais quando não faço tudo que, em nenhum dia, pensei em fazer. ainda mais quando não faço nada em nenhum dia, e as coisas não se ajeitam.

mas são nos domingos dentro de um carro, cantando as músicas que, no momento eram as únicas do mundo, que tudo faz sentido e os pensamentos que não são filosofia, apenas vão. não se preocupar é ótimo, ainda mais quando se têm ao lado pessoas que não são pessoas, mas algum tipo de máquina capaz de tornar as coisas bacanas e sempre sinceras. ainda mais quando se têm ao lado uma coisa que não presta pra nada, a não ser tomar decisões certas e servir de modelo pra qualquer sentimento bom ou adjetivo positivo. ainda mais quando ela me fez falta, e eu tomo uma consciência disto.

nisso tudo, eu só vejo essência e uma fonte inesgotável de um sentimento chamado ''você só tem a crescer com tudo que está a sua volta''. também tem um pouquinho de ''babaca, você só faz merda!'', que serve pra equilibrar as coisas e deixar tudo no devido clichê. ser esponja pra tudo e pra todos, só faz bem pra mim. e bem pra mim, é conseguir enxergar tudo meio cor-de-rosa, tudo meio otimista.

''Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.''

Metade - Oswaldo Montenegro